terça-feira, 19 de outubro de 2010

Óleos Alimentares e o Ambiente

A eliminação dos óleos alimentares nos dias de hoje oferece risco elevado para meio ambiente, uma vez que estes quando lançados pela rede de esgotos ou depositados em aterro, provocam impactes negativos elevados. Dados relativos ao nosso Pais, mostram que em cerca de 125 mil toneladas deste resíduo, apenas 3000 são recolhidas.

Relativamente ao óleo alimentar é possivel este ser utilizado para fabricar sabão, ou produção de combustivel para motores a diesel. Outra hipótese, é a sua reciclagem, a fim de se obter biodisel .
A utilização deste óleo em motores diesel oferece vantagens a nivel da qualidade do ar, sobretudo no que se refere à emissão de partículas,enxofre e nulidade no que se refere a dióxido de carbono. Mesmo quando os ésteres são usados em mistura com gasóleo, as emissões de partículas sofrem uma redução até aos 40%.Os ésteres contêm pouco enxofre (menos de 0,05% contra os 0,26% do gasóleo) e não possuem compostos aromáticos. Por outro lado, não contribuem para GEE, Além de que é alternativa em relação ao combustiveis fosseis. Salienta-se porém, que estes óleos ao resultarem da fritura de alimentos, não mantém as suas propriedades originais, dado que este sofre transformações: particulas em suspensão devido a restos de comida, em termos quimicos passam a ser polinsaturados devido ao aquecimento(acima de 180ºC).

Lembra-se o Eng. Rudolf Diesel que já em 1911 escreveu chamava a atenção para a utilização de óleo alimentar nos motores a diesel. Em 1900 numa Exposição em Paris, foi apresentado um pequeno motor a Diesel que trabalhava com óleo de amendoim e note-se que ninguem se deu conta de que assim se tratava.


Porém a utilização directa levanta alguns incovenientes, desde formação de depósitos nos injectores, entupimentos,desgaste devido aos ácidos livres, fumos,consumo superior, arranque menos favorecidos. Uma das alternativas colocadas foi usar ésteres resultantes da transesterificação dos óleos vegetais. O uso de ésteres apresenta algumas vantagens importantes, e testes provam que este pode ser usado directamente:

- Menor viscosidade

- Filtrabilidade a temperaturas baixas

- Maior índice de cetano (por vezes superior ao gasóleo)

- Arranque a frio mais facil

- Motores mais silenciosos

Já existem certificações de produtos para o uso de ésteres em algumas marcas de automóveis, sobretudo: Audi, Volskwagen, Peugeot, Mercedes, Volvo ,BMW, Ford e a Chrisler. Utilizando fracções de 10% de biodisel e 90% de gasóleo é possivel o uso directo em qualquer motor, sem que este tenha que ser sujeito a ajustes. Se as vantagens são tão evidentes, então porque não se rentabiliza esta medida, sobretudo nos centros urbanos, onde o trafego é intenso? Em termos económicos é importante criar um ambiente político económico favorável à adopção generalizada como substituto do gasóleo. Presentemente, o biodiesel é importado de Espanha, mas recorde-se que em tempos houve uma acção para aproveitamento do óleo de girassol plantado na região alentejana com a sua posterior transesterificação e utilização na frota de autocarros da Carris. O governo considerou inviável esta medida, dado que não contabilizou os subsidios associados à colheita, mas apenas ao preço da sua sementeira e colheita e preço final de óleo.

Se a reciclagem do óleo oferece vantagens ambientais, sociais e económicas, não seria justo promover a sua reciclagem? Se foi criado o petão, porque não criar o óleão? Porque não sensibilizar as pessoas e os restaurantes, como responsáveis dos resíduos que produzem a tratá-los de forma conveniente? Afinal para que serve a lei, se ela é ignorada por todos?
Curiosidade:
Já é possivel falar em reciclagem de garrafas de óleo, compostas essencialmente por PET, anteriormente colocadas no contentor municipal com destino final em aterro sanitário. A problemática associada a este tipo de residuos, dado o seu caracter fisico-quimico, já é ultrapassavel, pela sua reciclagem.

Deste modo, além de se reduzir os residuos depositados em aterro, aumentando o seu tempo de vida util, passa a produzir-se roupa, endredons ou isolamentos acusticos. Os plásticos são dos resíduos não dificeis de reciclar, com esta medida a taxa de reciclagem subirá em cerca de 7%. Quando estes são caracterizados pela composição elevada em gordura e elevado risco de contaminação, este problema toma dimensões maiores ainda, dado que a gordura não desaparecia na lavagem e impossibiltava o processo.
Este problema foi resolvido pelo equilibrio entre a quantidade de detergente e temperatura da lavagem.Deste modo, o produto obtido, possibilita gerar outros materiais compostos essencialmente por fibras texteis.
Agora, já se pode falar em reciclagem das garrafas de óleo alimentar, fazendo todo o sentido a sua deposição no ecoponto amarelo.

Autora do artigo : Silvia Chambel
fotografias ; google images

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pegada Ecológica Portuguesa está Acima da Média Mundial

Pegada ecológica portuguesa está acima da média mundial

WWF divulgou hoje o relatório “Planeta Vivo 2010”
Procura humana de recursos naturais está a atingir níveis nunca vistos

Portugal ocupa o trigésimo nono lugar no ranking de países com maiores impactos ambientais relativos ao consumo de recursos naturais. Apesar disso, a pegada ecológica portuguesa diminuiu face a 2005, revela o relatório “Planeta Vivo”, divulgado hoje pela "World Wildlife Fund" (WWF).
"A pegada ecológica per capita de Portugal em 2007 posiciona o país em trigésimo nono lugar", com 4,5 hectares, quando a pegada mundial é de 2,7 hectares, refere a organização de conservação da natureza.

A biocapacidade, indicador relacionado com a capacidade regenerativa do planeta para satisfazer as necessidades da humanidade, é em Portugal de 1,3 hectares por pessoa (ocupa o 85.º lugar entre 124 países) quando em 2005 era de 1,2 hectares. Assim, "Portugal está em défice ecológico”, pois a pegada ecológica, de 4,47 hectares por pessoa, excede o valor da biocapacidade.

"A pegada portuguesa diminuiu em relação a 2005 devido fundamentalmente a reduções da produção a nível nacional, que se traduziram em menores emissões de dióxido de carbono, resultando numa menor pegada de carbono", explica a organização.
Entre 2005 e 2007 existiu uma diminuição da pegada de carbono (que é de 47 por cento do total), da área de floresta, pasto e de construção, enquanto a componente agrícola manteve-se constante, tendo havido um aumento na componente de pesca.
Cada português consome, em média, 6203 litros por dia

Pegada Ecológica para 2007 dos grupos políticos OCDE, ANSA, BRIC e União Africana. No que respeita à pegada hídrica, os últimos dados apontam Portugal como um dos países do mundo (sexto, em 2008) com um valor mais elevado, ao atingir 6203 litros por dia e por habitante. A situação deve-se "à pouca eficiência do sector agrícola nacional, à dependência dos bens agrícolas importados, principalmente de Espanha, e às diferenças geográficas internas, com problemas de escassez de água a sul, em particular na bacia do Guadiana".
O relatório "Planeta Vivo 2010" refere que, em termos globais, o uso de serviços de ecossistemas de água doce "está actualmente para além dos níveis que podem ser sustentados". E as previsões sugerem que a pegada de água continue a aumentar em Portugal, como na maior parte do mundo, tendo como efeito a crescente fragmentação dos rios, a sobre-exploração dos recursos e poluição da água, a que se acrescem os impactos das alterações climáticas.
A WWF aconselha a Portugal a certificação florestal como forma de promover o aumento de áreas florestais "bem geridas", que possam "gerar serviços do ecossistema e produtos directos", referindo os exemplos da cortiça e da pasta de papel. A conservação da biodiversidade utilizando o conceito de áreas de alto valor de conservação e valorização dos serviços do ecossistema é igualmente apontada.
População mundial usa recursos naturais equivalentes a planeta e meio



Mapa mundo da biocapacidade disponível per capita em 2007 (clique para aumentar)O relatório bianual, produzido em colaboração com a "Zoological Society of London" e a "Global Footprint Network", utiliza o índice global planeta vivo para avaliar o estado de conservação de oito mil populações de mais de 2500 espécies. Foi concluído também que as populações estão a usar recursos naturais equivalentes a um planeta e meio, com um consumo “excessivo” e elevadas emissões de dióxido de carbono.
Segundo a WWF, “a procura humana de recursos naturais está a atingir níveis nunca vistos, rondando os 50 por cento acima do que a terra pode oferecer”. A pegada ecológica, um indicador que avalia a utilização da natureza pelas populações, mostra que a “pressão sobre os recursos naturais duplicou desde 1966" e que o Homem está a usar "o equivalente a 1,5 planetas" para suportar as suas actividades.

Pode consultar o relatório "Planeta Vivo 2010" aqui.

Fonte: Ciência Viva

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Curso Produção Florestal ETP Sicó Penela

Está a decorrrer na Escola Tecnológica e Profissional do Sicó um curso de Produção Florestal com a equivalência ao 9º ano
Foto: Modulo Prevenção Contra Incêndios

Joaquim Santos





quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Onda de Calor é a mais Grave do Milénio

Incêndios na Rússia a chegar a zonas radioactivas e Portugal com pouca qualidade do Ar


Imagem dos níveis de monóxido de carbono na Rússia. (Nasa Earth Observatory)


A Rússia encontra-se perante uma situação de bloqueio, a nível climatérico; ou seja, o anticiclone que se formou sobre o país mostra-se quase estacionário e, associado a massas de ar quente, torna-se favorável a fortes temperaturas, ar muito seco e a insolações. A situação tem sido excepcionalmente afectada pelos grandes incêndios que lavram desde Julho passado e que se aproximam de áreas contaminadas pela explosão da central nuclear de Chernobyl. O país já está de prevenção e teme a dispersão de partículas radioactivas.

Em Moscovo, verificam-se temperaturas muito acima da normalidade sazonal e a taxa de mortalidade diária já dobrou. Todos os dias morrem 360 a 380 pessoas; agora, a média está nos 700, segundo avançou o chefe do departamento de saúde de Moscovo a vários meios de comunicação. Foi decretado o estado de emergência nas florestas e parques da cidade de Ozersk, a região de Briansk e a fronteira da Bielorrússia e Ucrânia já estão a ser afectadas.

O fumo proveniente da vegetação incendiada emana grande quantidade de monóxido de carbono, micropartículas nocivas e deixa o índice de oxigénio do ar em baixa. As principais repercussões são dores de cabeça, irritação nos olhos, nariz e garganta, náuseas, problemas pulmonares e cardiovasculares. A exposição prolongada enfraquece o sistema imunológico.

A questão da possível libertação de elementos radioactivos requer medidas urgentes para proteger a população e territórios, mas ainda não são conhecidas situações catastróficas. Até agora, já foram reportados quase 550 incêndios florestais. Entretanto, o país foi brindado com alguma pluviosidade, mas não a suficiente.


Menos qualidade no ar.

Em Portugal, os incêndios que têm fustigado o país e as altas temperaturas estão, igualmente, a propiciar a existência no ar de mais partículas nocivas à saúde. No Porto, já se confirma – segundo disse o pneumologista António Jorge Ferreira, a uma rádio nacional – que a qualidade do ar diminuiu e os químicos resultantes das combustões, associados às altas temperaturas, podem desencadear uma série de patologias respiratórias.


Os especialistas recomendam, a quem tem mais dificuldades respiratórias, ficar mais tempo em casa. Os grupos de maior risco são os idosos, os doentes crónicos, sobretudo os com dificuldades respiratórias, e as crianças. A Autoridade Nacional de Protecção Civil regista hoje 58 incêndios activos, em oito distritos do país e as altas temperaturas mantêm-se, apesar de já haver previsão de começarem a baixar na próxima semana.

Fonte: Ciencia Viva